| |
|
|
Ainda que nosso inverno não seja rigoroso, é comum
nessa época do ano reunir os amigos para saborear queijos e vinhos.
Apesar de ser esse um hábito antigo, a mistura não é tão simples
quanto parece. O vinho errado pode matar o sabor do queijo. O
contrário também é verdadeiro. Veja algumas sugestões de harmonização:
Queijos frescos
Muito apreciados pelo paladar nacional, os queijos
frescos são ideais para iniciar uma reunião e pedem vinhos brancos
frescos, secos, com boa acidez e aromáticos, como o Gewürztraminer,
Riesling, Moscatel e Malvasia. Vale abrir também uma garrafa de um
rosé. A maioria dos queijos cremosos de leite de cabra também casam
perfeitamente com esses vinhos.
Queijos macios
Tanto o brie quanto o camembert combinam com vinhos
brancos estruturados, como um Chardonnay que tenha permanecido em
barrica de madeira por algum tempo. Um Sancerre é outra alternativa de
primeira. Tintos leves, pouco tânicos, como os do Vale do Ródano, os
conhecidos Côtes du Rhône, ou um cru Beaujolais, são outros exemplos
de boa companhia. Na Normandia, região de origem do camembert,
acompanha-se esse queijo com goles de calvados, destilado feito de
maçã, assim como a sidra, o fermentado da mesma fruta. Um camembert
maduro e de boa procedência não fará feio se for saboreado com um
champanhe.
Queijos azuis
O sabor complexo e picante do roquefort combina com
um Sauternes, vinho francês de sobremesa de alta concentração de
açúcar. Com um Tokai húngaro, o resultado também será agradável. No
caso do italiano gorgonzola, a combinação clássica é um tinto leve
como um Valpolicella nobre, um Barbera ou Bardolino. Arrisque também
com um Passito di Pantelleria, o vinho licoroso da Sicília. Você verá
que não fica nada mal. Outra possibilidade é abrir um Moscatel
português.
Queijos semiduros
Queijos como o emmenthal, o gruyère e o
queijo-de-minas curado e semicurado ficam bem com tintos leves, no
máximo de médio corpo, como um Côtes du Rhône, um Pinot Noir ou um
Beaujolais (feito com a uva Gamay, já tem versões brasileiras), todos
poucos tânicos. Também vão bem com alguns italianos mais leves como o
Barbera e o Dolcetto. Podem ser bons parceiros brancos secos como os
Chardonnays estruturados que permaneceram em barricas de carvalho. Os
holandeses gouda e edam e o italiano asiago têm sabor mais pronunciado
e pedem vinhos potentes, como os da uva Shiraz - não a casta original
francesa Syrah, mas sua variação espalhada pelo Novo Mundo (Austrália,
África do Sul, Argentina). Também formam ótima parceria com um Rioja
Reserva, um Cabernet Sauvignon proveniente do Chile ou mesmo um Tannat
uruguaio. O provolone pode ser associado com um Chianti Clássico,
tinto da Toscana, ou um outro tinto de médio corpo. A mussarela
funciona bem com um tinto leve ou de médio corpo.
Queijos duros
Em geral, esses queijos são reservados para a
seqüência final, uma vez que com sabor demasiadamente marcante, acabam
ofuscando os demais. As virtudes de um parmiggiano reggiano ou de um
grana padano são ressaltadas com tintos potentes como um Cabernet
Sauvignon Reserva chileno, um Amarone della Valpolicella ou um
Zinfandel californiano encorpado. O pecorino vai bem com vinhos de
médio corpo. Vale provar com um Malbec argentino, por exemplo. O
Malbec traz uma doçura que produz um interessante contraste com esse
queijo.
Uma opção interessante é contrariar a regra clássica
de aproximar queijos duros e salgados de vinhos encorpados.
Experimente prová-los com vinhos generosos, como um Porto ou Madeira.
A mesma sugestão se aplica ao provolone. A bebida licorosa rompe com o
gosto de defumado desse queijo.
Fonte: Revista Água na Boca
|
|
|